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“Fim de Partida” ganha nova montagem no Sesc Pinheiros com Marco Nanini e direção de Rodrigo Portella

  • Redação
  • 10 de mai.
  • 2 min de leitura
Foto: Fernando Young / Divulgação
Foto: Fernando Young / Divulgação

O clássico “Fim de Partida”, do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, chegou ao Sesc Pinheiros em uma nova montagem estrelada por Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. Com direção de Rodrigo Portella, o espetáculo estreou no Teatro Paulo Autran em 30 de abril e seguiu em cartaz até 31 de maio de 2026.


Escrita nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, a obra de Beckett apresenta um universo devastado física e emocionalmente, refletindo sobre a existência humana em meio ao colapso das relações e das estruturas sociais. Mais de sete décadas após sua criação, o texto permanece atual ao abordar temas como isolamento, autoritarismo, desgaste emocional e a sensação permanente de vazio.


Na trama, Hamm, interpretado por Marco Nanini, e Clov, vivido por Guilherme Weber, mantêm uma relação marcada por dependência, crueldade e tensão constante. Presos em um ambiente claustrofóbico, os personagens vivem uma rotina repetitiva e sufocante, onde o tempo parece suspenso e qualquer possibilidade de mudança se mostra impossível.


A montagem apostou em uma leitura contemporânea da obra, explorando diferentes camadas simbólicas do texto. Para Rodrigo Portella, além da relação íntima entre Hamm e Clov, a peça também pode ser entendida como uma alegoria política. Hamm surge como uma figura tirânica sustentada pelo poder e pela opressão, enquanto Clov representa o corpo submisso, preso a uma engrenagem sem sentido.


Outro aspecto explorado pela direção foi o caráter metateatral da obra. A cenografia assinada por Daniela Thomas criou um palco dentro do próprio palco, reforçando a ideia de um teatro que reflete sobre si mesmo. Nesse jogo cênico, Clov assume características de um clown, operador da cena e figura do ridículo, enquanto Hamm ocupa o papel do ator central, sustentando-se na própria narrativa que constrói de si.


O projeto marcou ainda o reencontro de Marco Nanini com antigos parceiros de cena. O ator dividiu novamente o palco com Guilherme Weber, com quem atuou em montagens como “Os Solitários” e A Morte do Caixeiro Viajante. Já Helena Ignez reviveu a parceria iniciada no começo da carreira de Nanini, enquanto Ary França voltou a atuar ao lado do ator após o sucesso de “O Burguês Ridículo”.


A produção reuniu nomes importantes da trajetória artística de Nanini, incluindo o produtor Fernando Libonati, responsável por diversos trabalhos do ator nas últimas décadas, além do iluminador Beto Bruel e do figurinista Antonio Guedes.


Entre o absurdo, o humor melancólico e a reflexão filosófica, “Fim de Partida” reafirmou a força da dramaturgia de Samuel Beckett e sua impressionante capacidade de dialogar com os conflitos e inquietações do mundo contemporâneo.


Serviço:


Temporada: 30 de abril a 31 de maio de 2026

Horários: De quarta a sábado, às 20h. Domingos e feriados, às 18h

Local: Teatro Sesc Pinheiros

Endereço: Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo (SP) 

Ingressos: A partir de R$ 27,00

Venda online em: sescsp.org.br

Classificação: 16 anos

Duração: 90 minutos

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