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"EDDY – violência & metamorfose" chega ao Teatro FAAP com reflexão contundente sobre violência e preconceito

  • Redação
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura
Foto: Elisa Mendes
Foto: Elisa Mendes

Após conquistar o público e a crítica no Rio de Janeiro, o espetáculo "EDDY – violência & metamorfose" chega a São Paulo para uma temporada especial no Teatro FAAP. Em cartaz de 23 de junho a 6 de agosto, com sessões de terça a quinta-feira, às 20h, a montagem reúne teatro, literatura e cinema para abordar questões urgentes da sociedade contemporânea, como violência sexual, homofobia, machismo, xenofobia e violência de classe e de gênero.


Indicado ao Prêmio APTR 2025 nas categorias Melhor Direção, Melhor Ator Protagonista e Melhor Direção de Movimento, o espetáculo é dirigido por Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky e conta com as atuações de João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro.


A montagem é inspirada em três importantes obras do premiado escritor francês Édouard Louis — "O fim de Eddy", "História da violência" e "Mudar: método" — reunidas pela primeira vez em uma única adaptação teatral. O projeto recebeu o aval do próprio autor, que destacou o caráter inédito da proposta.

"É a primeira vez que uma proposta assim foi realizada no mundo", afirmou Édouard Louis, cujos livros já foram adaptados para os palcos em diversos países.

Ao longo da peça, o público acompanha um panorama ampliado da trajetória do escritor, cuja obra é marcada por reflexões contundentes sobre desigualdade social, preconceito, violência e emancipação pessoal e intelectual.


Uma história real e impactante


No centro da narrativa está um episódio traumático vivido por Édouard Louis no Natal de 2012, em Paris. Após um jantar com amigos, o escritor conhece um jovem chamado Redá, de origem argelina, que o acompanha até seu apartamento. O encontro, inicialmente marcado pela intimidade e pelo afeto, transforma-se em um ato de extrema violência na manhã seguinte, quando Édouard é agredido sexualmente e quase assassinado.


A experiência foi transformada no livro "História da violência" e tornou-se o ponto de partida para uma investigação profunda sobre os mecanismos sociais que produzem, reproduzem e perpetuam diferentes formas de violência em nossa sociedade.


Um ano após o ocorrido, depois de enfrentar procedimentos médicos, policiais e jurídicos relacionados ao caso, Édouard retorna à sua cidade natal e se hospeda na casa da irmã, Clara. É a partir desse reencontro familiar que a narrativa do espetáculo ganha novas camadas, reconstruindo os acontecimentos daquela noite por meio de diferentes perspectivas e promovendo uma reflexão sobre machismo, racismo, homofobia e desigualdades sociais.


Três obras, uma trajetória de transformação


A dramaturgia costura elementos das três publicações de Édouard Louis, oferecendo ao espectador uma imersão em sua trajetória pessoal. Trechos de "O fim de Eddy" revelam a infância do autor em uma pequena cidade francesa marcada pela pobreza, preconceito e violência simbólica, enquanto "Mudar: método" apresenta sua jornada de emancipação social e intelectual, desde a saída de Hallencourt até sua consolidação em Paris como um dos principais nomes da literatura contemporânea francesa.


Mais do que contar a história do escritor, o espetáculo propõe uma reflexão sobre as estruturas de poder presentes nas relações humanas e seus impactos sobre corpos e subjetividades.


Pesquisa artística sobre violência e dominação masculina


"EDDY – violência & metamorfose" também integra a pesquisa desenvolvida pela companhia POLIFÔNICA ao longo da última década, dedicada a investigar a violência e a dominação masculina em suas diversas manifestações.


Segundo o diretor Luiz Felipe Reis, a companhia busca promover debates coletivos sobre os efeitos da busca masculina por poder, controle e submissão.

"Ao longo dos últimos dez anos de trabalho, buscamos, através de cada obra, propor uma reflexão coletiva acerca das consequências da desmedida ânsia masculina por poder, controle, dominação e submissão", afirma o diretor.

Reis explica ainda que seu interesse pela obra de Édouard Louis surgiu justamente por sua capacidade de analisar diferentes formas de violência — social, política, econômica, racial, sexual e de gênero — presentes nas estruturas que organizam a sociedade contemporânea.


Teatro como espaço de representatividade e diálogo


Coautor da direção e dramaturgia, o cineasta Marcelo Grabowsky destaca a importância de levar ao palco experiências e subjetividades LGBTQIAP+, especialmente em um contexto em que o preconceito ainda se manifesta de diversas formas.

"Adaptar a obra do Édouard para o palco encontra a importância de encenar dilemas e vivências de corpos e subjetividades gays e, assim, fazer a gente se reconhecer em cena", comenta Grabowsky.

O diretor ressalta que, mesmo diante dos avanços conquistados pela comunidade LGBTQIAP+ no Brasil, o conservadorismo e a violência ainda persistem, tornando a obra de Édouard Louis especialmente relevante por sua capacidade de transformar experiências pessoais dolorosas em arte capaz de sensibilizar diferentes públicos.


Um espetáculo que une diferentes linguagens artísticas


A produção também dá continuidade à pesquisa estética da POLIFÔNICA sobre a chamada "polifonia cênica", conceito que propõe um diálogo criativo entre o teatro e outras linguagens artísticas, como cinema, literatura e sonoridades contemporâneas.


Desde sua fundação, a companhia tem desenvolvido trabalhos que exploram esse encontro entre formas de expressão, em espetáculos como "Estamos indo embora..." (2015), "Amor em Dois Atos" (2016), "Galáxias" (2018), "Tudo que brilha no escuro" (2020), "Vista" (2023) e "Deserto" (2024), este último também indicado ao Prêmio APTR em importantes categorias.


Com uma narrativa intensa e sensível, "EDDY – violência & metamorfose" reafirma o poder do teatro como ferramenta de reflexão e transformação social, convidando o público a revisitar questões fundamentais sobre identidade, violência e pertencimento por meio da trajetória de um dos mais importantes escritores franceses da atualidade.


Serviço:


Data: 23 de junho a 6 de agosto de 2026

Horário: Terças, quartas e quintas-feiras, às 20h

Local: Teatro Faap

Endereço: R. Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo

Ingressos: A partir de R$ 65,00

Funcionamento Bilheteria: Quartas a sábados, das 14h às 20h e domingos, das 14h às 17h.

Televendas:  (11) 3662-7233 e (11) 3662-7234. Quartas a sábados, das 14h às 20h e domingos, das 14h às 17h.

Classificação: 18 anos

Duração: 100 minutos

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