• Bianca

“A Serpente” traz uma forma leve e combinadamente intensa de se assistir Nelson Rodrigues


(Foto: Walquiria/ Foco das Notícias)


A Serpente foi a última e mais curta peça escrita pelo “anjo pornográfico”, alcunha criada pelo próprio dramaturgo e jornalista pernambucano. Mesmo com apenas um ato, a peça de 1978 não deixa de criar polêmica ao retratar o amor de duas irmãs pelo mesmo homem.


Elas juraram nunca se separar e moram juntas na mesma casa com seus respectivos maridos. Lígia decide se suicidar porque tem um casamento infeliz (e não consumado) com Décio, que diz sofrer de impotência, mas, na verdade, tem um caso com outra mulher.


Para evitar que a irmã fizesse isso, Guida tem a ideia de emprestar Paulo, o próprio marido, para ela por uma noite. O que Guida não esperava era que Lígia se apaixonaria por ele, muito menos que esse erro poderia resultar até em morte.


Esta é a terceira montagem de Eric Lenate para peças de Rodrigues: em 2013, ele dirigiu “Vestido de Noiva” e, em 2015, “Valsa Nº6”. O elenco conta com a participação de Carolina Lopez, Fernanda Heras, Maria Guedes, Juan Alba e Paulo Azevedo.


“Nelson Rodrigues tem uma capacidade impressionante de nos deixar constrangidos com nossa própria miséria e obtusidade. Sua obra deitada no papel é um espelho cruel de nossa face horrorizante. Ele é e será sempre bem-vindo em qualquer período de obscurantismo e miséria intelectual.

Se, por vezes, ele parece ser machista, cuidado. Se, por vezes, ele parece ser racista, cuidado novamente. É provável que estejamos apenas olhando para um espelho. E o que fazemos com Nelson nesses momentos, sem conseguirmos compreender que é provável que estejamos olhando para nossa própria face?”, comenta o diretor.

Veja algumas imagens:

(Foto: Leekyung Kim / Divulgação)


Sobre a preparação e composição da personagem, Mariá Guedes comenta que tiveram dois meses com a direção do Eric Lenate. “Foi um exercício intenso de mergulho de leitura, de pesquisa, pesquisa de texto, de personagem, da trama e dessas relações. Como fazer um texto de Nelson antigo, ainda ser contemporâneo, nos debruçamos muito para chegar num entendimento da cena pra depois seguir com a preparação corporal, vocal e na composição do personagem.”, complementa.


“Mas que buscar referências de casamento na composição do Décio, busquei muito uma coluna que é: O machismo é patético! O quanto que o homem também é vítima nesta cultura, o quanto ele é infantilizado, o quanto ele é imaturo na medida em que ele se coloca superior a mulher”., comenta Paulo.


Carolina e Fernanda sócias da Moira Produções artísticas tem o projeto em andamento a 7 anos. “Já pelo tempo que demoramos para conseguirmos realizar o espetáculo já demonstra um pouco de como é difícil. Dependemso de patrocínio de empresas que acreditem no projeto para que a gente consiga estar no palco. Costuma ser um trabalho mais longo e consequentemente mais difícil… É difícil mais vale a pena !”, completa Carolina.


“Esta montagem de ‘A Serpente’ é uma montagem muito diferente, pois quando começamos este processo de ensaio o diretor nos perguntou: Porque montar ‘A Serpente’ nos dias de hoje? Um texto que foi escrito 1978, último escrito por Nelson, um texto que reforça o racism, preconceitos, machismo, feminicídio, o porque de montar este texto hoje, discutimos muito sobre. E chegamos a conclusão que, valia a pena montar este texto, sem mudar uma vírgula do texto que Nelson escreveu, só que demos uma outra leitura a tudo isso para não reforçar todas estas questões que o texto levanta.”, conta Fernanda.


Quem espera no espetáculo encontrar em modo claro quem é ‘A Serpente’ não irá encontrar, as atrizes revelaram que optaram por deixar no ar, cada um que assistir irá encontrar a sua serpente, cada um sairá do espetáculo pensando consigo mesmo e irá comentar com quem também assistiu de quem é ‘A Serpente’ que eles tanto incenuam em cena.


“O espetáculo em si é montanha russa de emoções, mistura-se muito o amor e o ódio, a desconfiança, com as incertezas que passam a surgir diante dessa attitude de Guida, ela detona um caminhão de emoções que vai levando todo o espetáculo. Pra mim é um presente fazer, e está sendo o primeiro Nelson Rodrigues que eu faço, acredito que dificilmente farei um outro espetáculo tão intenso quanto este.”, diz Juan.


Após estas longas temporadas em São Paulo as produtoras do espetáculo e também atrizes do mesmo, Carolina e Fernanda, comentam que o espetáculo seguirá para alugmas cidades do interior de São Paulo e também para o Rio de Janeiro, já tem em vista que ocorerrá uma primeira temporada no CCBB com estréia prévia para agosto de 2018 e uma outra temporada em outro teatro carioca ainda não definido por elas. Mas, garantimos que tudo estará sendo informado por aqui assim que decidido!


Logicamente que não deixaríamos vocês todos sem saber o que irá acontecer com Norival personagem de Juan Alba em ‘O outro lado do paraíso’, o ator nos revelou que não sabe o que irá acontecer com o personagem na trama, mais que espera sim estar de volta a novela.


E fica o convite de todo o elenco de “A serpente” para sairem um pouco dos bloquinhos que ocorrerão este final de semana na capital paulista e estarem comparecendo ao “Bloquinho de A Serpente” que está em sua última semana da temporada em São Paulo. O espetáculo também conta com uma lista amiga em seu site (www.aserpente.com), que se inscrevendo nela, você pagará o ingresso com 50% de desconto.

Fique por dentro de todas as novidades de “A Serpente”:

Instagram: @aserpenteapeca

Facebook: @aserpenteapeca

Site: www.aserpente.com

Serviço:

Temporada: 19 de Janeiro a 11 de Fevereiro de 2018

Local: Teatro Faap

Endereço: Rua Alagoas, 903, prédio 01 – Higienópolis

Horários: Sextas às 21h30 | Sábados às 21h e Domingos às 18h.

Duração: 60 minutos

Classificação etária: 16 anos

Ingressos: R$ 60,00 (Com opção de meia entrada)

Compra de ingressos: Internet (https://teatrofaap.showare.com.br/) ou Bilheteria

Informações: (11) 3662-7233 e (11) 3662-7234

Funcionamento da Bilheteria: Quarta a sábado das 14h às 20 e domingo das 14h às 17h. Em dias de espetáculos até o início dos mesmos