Ricardo Waddington retorna ao teatro com espetáculo impactante sobre saúde mental na adolescência
- Redação
- há 1 hora
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Com uma carreira consolidada na televisão brasileira, Ricardo Waddington volta às suas origens no teatro para dirigir um espetáculo que propõe um olhar sensível e urgente sobre a saúde mental de adolescentes. Inspirada em relatos reais, a peça #malditos16 estreia no Teatro FAAP, trazendo ao público uma reflexão necessária sobre dor, silêncio e pertencimento.
“O silêncio pode ser tão perigoso quanto a dor que ele tenta esconder.” É a partir dessa provocação que a montagem conduz o espectador por uma narrativa intensa e contemporânea. O texto é do dramaturgo espanhol Nando López, com tradução de Flávio Marinho, e marca a primeira adaptação brasileira da obra.
A história acompanha quatro jovens que se conheceram ainda adolescentes em uma instituição psiquiátrica, após tentativas de suicídio. Anos depois, já na fase adulta, eles são reunidos novamente pela psiquiatra Violeta, interpretada por Helena Ranaldi, para integrar um projeto de apoio a outros jovens em sofrimento emocional. O reencontro faz emergir memórias delicadas, conflitos internos e reflexões profundas sobre família, escola, relações afetivas e o sentimento de pertencimento.
Além de Helena Ranaldi, o elenco reúne Pedro Waddington, Sara Vidal, Benjamín, Julia Maez e Matheus Sousa. A equipe criativa conta ainda com nomes como André Cortez (cenografia), Anne Cerruti (figurino), Cesar Pivetti (iluminação) e Rafael Thomazini (trilha sonora).
O texto de Nando López nasceu a partir de oficinas conduzidas pelo autor em hospitais psiquiátricos com jovens em sofrimento emocional, o que confere à obra um caráter documental e profundamente humano. A peça busca romper o silêncio em torno de temas historicamente negligenciados, como a saúde mental na adolescência — uma questão que, segundo a Organização Mundial da Saúde, está diretamente ligada a uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos: o suicídio.
Para Waddington, o maior desafio está em abordar o tema com responsabilidade. “Não se trata de silenciar, mas de encontrar uma forma consciente de falar sobre isso. Precisamos de empatia e escuta”, afirma o diretor. Ele reforça que o espetáculo evita qualquer tipo de romantização, apresentando o suicídio como o ápice de um sofrimento profundo, e não como um recurso narrativo.
Mais do que tratar da dor, #malditos16 propõe um convite ao diálogo. “A peça não é sobre suicídio, é sobre identidade e pertencimento”, resume Waddington. Nesse sentido, o espetáculo se posiciona como um espaço de acolhimento e reflexão, especialmente em um momento em que discutir saúde mental se torna cada vez mais necessário.
Outro destaque da montagem é o encontro entre gerações e afetos nos bastidores e no palco. Trabalhar ao lado de Helena Ranaldi e de seu filho, Pedro Waddington, tornou o processo ainda mais significativo para o diretor. “É uma troca cheia de afeto, uma experiência que guardarei para a vida”, conclui.
Com uma narrativa sensível e potente, #malditos16 chega ao teatro como um importante instrumento de conscientização, abrindo espaço para conversas urgentes que ainda encontram resistência fora dos palcos.
Serviço:
Temporada: de 16 de abril a 04 de Junho de 2026 Sessões extras em: 12 e 26/05 * Não haverá espetáculo nos Dias: 13, 14, 20, 21 e 28/05
Horários: quartas e quintas às 20h
Local: Teatro Faap
Endereço: Rua Alagoas, 903 - Higienópolis
Classificação: 16 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: A partir de 50,00
Bilheteria: De quarta a sábado das 14h às 20h e domingo das 14h às 17h. Durante os dias de espetáculo, até o início da apresentação.
Vendas online: https://www.faap.br/teatro/peca/malditos16/




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