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Monte Castelo mantém vivo o legado da Legião Urbana e emociona gerações com tributo a Renato Russo

Redação
há 5 dias
7 min de leitura
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Poucas bandas brasileiras conseguiram atravessar gerações com a mesma intensidade e relevância da Legião Urbana. Décadas após o auge do grupo liderado por Renato Russo, suas músicas continuam presentes na vida de milhões de brasileiros, abordando sentimentos, conflitos, questões sociais e reflexões que permanecem atuais.


É justamente essa conexão entre passado e presente que move a Monte Castelo – Tributo à Legião Urbana, grupo que há quase duas décadas percorre os palcos brasileiros levando ao público muito mais do que interpretações de grandes sucessos: uma experiência musical carregada de emoção, autenticidade e respeito à história de uma das bandas mais importantes do rock nacional.


Em entrevista exclusiva ao Foco das Notícias, os integrantes da Monte Castelo compartilharam histórias dos bastidores, momentos inesquecíveis da carreira, encontros com músicos ligados à trajetória da Legião Urbana e detalhes dos próximos projetos.


Uma paixão que se transformou em história


A origem da Monte Castelo remonta ao encontro entre o guitarrista Philipe Antunes e o vocalista Dario Aaron, na casa do cantor e compositor Nell Filho.


Ao conhecer Dario, Philipe percebeu imediatamente sua semelhança com Renato Russo e sugeriu a criação de um projeto dedicado à Legião Urbana.


A proposta, entretanto, não foi aceita de imediato. Dario tinha certa resistência à ideia de interpretar músicas de outros artistas, especialmente por compartilhar da filosofia de Renato Russo sobre a importância de criar as próprias composições.


Com a chegada do baterista Denis Gonçalez e, posteriormente, do baixista Celio Izzi, a afinidade musical entre os integrantes acabou transformando aquela ideia em um projeto duradouro.


A identificação do público foi fundamental para consolidar a banda. As apresentações começaram a despertar pedidos por mais músicas da Legião Urbana, fazendo com que o tributo ganhasse força e identidade própria.


O que começou como uma reunião de músicos apaixonados pelo mesmo repertório transformou-se em uma trajetória marcada por apresentações, encontros especiais e histórias emocionantes.


Por que Renato Russo continua tão atual?


Para os integrantes da Monte Castelo, a permanência da Legião Urbana no imaginário brasileiro está diretamente relacionada à sensibilidade artística e à capacidade de Renato Russo de compreender os dilemas humanos.


A banda destaca que o compositor reunia inteligência, curiosidade, conhecimento cultural e um olhar crítico sobre a sociedade, características que se refletiam em suas letras.


Suas composições transitavam entre relacionamentos amorosos, injustiças sociais, conflitos pessoais e o desejo de construir um mundo melhor.


Segundo os músicos, essa universalidade explica por que canções escritas décadas atrás continuam dialogando com diferentes gerações.


“Que País É Esse? infelizmente é atual, mas Eduardo e Monica felizmente é atual”, refletiram os integrantes durante a entrevista.


A declaração sintetiza duas características fundamentais da obra de Renato Russo: a crítica social, que continua provocando questionamentos, e a sensibilidade para retratar relações humanas que ultrapassam o tempo.


Muito além da imitação: a identidade da Monte Castelo


Embora o grupo seja reconhecido pela fidelidade ao repertório original, os músicos fazem questão de destacar que o espetáculo não se resume a reproduzir os discos da Legião Urbana.


A proposta é preservar a essência das composições, mas também incorporar as experiências, personalidades e influências musicais de cada integrante.


Durante as apresentações, momentos espontâneos podem dar origem a novos arranjos e até passar a integrar definitivamente o roteiro dos shows.


Essa liberdade criativa se tornou uma das principais características da Monte Castelo.


O grupo acredita que o equilíbrio entre respeito às versões originais e inovação é essencial para manter o espetáculo interessante, inclusive para quem acompanha a banda há muitos anos.


Dario Aaron e a responsabilidade de interpretar Renato Russo


Um dos aspectos que mais chamam a atenção nas apresentações é a semelhança física e vocal de Dario Aaron com Renato Russo.


Entretanto, para o vocalista, interpretar canções tão importantes na vida das pessoas envolve uma responsabilidade que vai muito além da aparência.


Dario conta que, mesmo depois de tantos anos de apresentações, ainda sente nervosismo antes de subir ao palco.


A intensidade emocional do repertório e a expectativa dos fãs fazem com que cada apresentação represente um novo desafio.


O músico também percebe que muitos espectadores não comparecem apenas para ouvi-lo cantar, mas para participar ativamente do espetáculo.


Entre as músicas que mais o emocionam está “Metal Contra as Nuvens”, escolhida por sua força poética, seus arranjos e pelas memórias afetivas que desperta.


A composição ocupa um lugar especial na trajetória do vocalista e também na relação da banda com seu público.


Encontros históricos e reconhecimento de quem viveu a Legião Urbana


Ao longo de sua trajetória, a Monte Castelo teve a oportunidade de dividir o palco com artistas que participaram de diferentes momentos da história da Legião Urbana.


Um dos encontros mais marcantes aconteceu em 2015, durante o lançamento do Fã Clube Oficial dedicado a Renato Russo, quando o grupo se apresentou ao lado de Kadu Lambach e Fred Nascimento.


A experiência ficou especialmente marcada pela participação de Fred, que inicialmente subiria ao palco para executar apenas algumas músicas, mas decidiu permanecer durante o restante do espetáculo.


Em determinado momento, o músico interpretou “Waiting on a Friend”, dos Rolling Stones, em uma homenagem carregada de emoção a Renato Russo.


Segundo os integrantes da Monte Castelo, a apresentação ganhou uma atmosfera especial, como se a memória do cantor estivesse presente naquele instante.


Outro momento inesquecível foi o encontro com Giulliano Manfredini, filho de Renato Russo, que demonstrou carinho e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo grupo.


A receptividade surpreendeu os músicos e transformou aquela noite em uma lembrança especial.


A trajetória da Monte Castelo também inclui uma participação ao lado de Toni Garrido, que convidou o grupo para subir ao palco durante seu show.


O cantor demonstrou tanto entusiasmo pelo repertório da Legião Urbana que desejava interpretar diversas músicas menos conhecidas da banda.


Outro encontro importante aconteceu no Teatro Bradesco, em uma apresentação com Philippe Seabra, da Plebe Rude, e Clemente Nascimento, ex-integrante dos Inocentes.


Para a Monte Castelo, aquela noite representou uma conexão simbólica entre as cenas musicais de São Paulo e Brasília, reunindo histórias e influências fundamentais para o desenvolvimento do rock brasileiro.


Quando a música se transforma em superação


Entre tantas histórias vividas ao longo dos anos, algumas ultrapassam os limites do entretenimento e revelam o impacto emocional das composições da Legião Urbana.


Uma delas envolve Simone, vice-presidente do fã-clube da Monte Castelo, que enfrentou e superou um câncer.


Durante esse processo, a canção “Metal Contra as Nuvens” tornou-se um símbolo de sua luta e vitória.


Para os músicos, histórias como essa demonstram que a música pode assumir diferentes significados na vida de cada pessoa, funcionando como companhia, inspiração e fonte de força em momentos difíceis.


São experiências que reforçam a importância do trabalho realizado pela banda e tornam cada apresentação ainda mais significativa.


Um espetáculo que une pais, filhos e diferentes gerações


Um dos fenômenos mais interessantes observados pela Monte Castelo é a diversidade de gerações presentes em seus shows.


De um lado, fãs que acompanharam a Legião Urbana durante sua trajetória original encontram nas apresentações uma oportunidade de reviver a juventude.


Do outro, jovens que nasceram anos depois do auge do grupo descobrem a força de suas composições e passam a construir uma relação própria com aquele repertório.


Segundo os integrantes, as reações são diferentes, mas igualmente intensas.


Enquanto os fãs mais antigos frequentemente se emocionam, choram e relembram momentos importantes de suas vidas, o público jovem demonstra curiosidade, entusiasmo e interesse pelo universo musical.


Muitos chegam aos espetáculos por influência dos pais, enquanto outros descobrem a Legião Urbana por iniciativa própria.


A Monte Castelo também considera importante incentivar as novas gerações a aprender instrumentos musicais e desenvolver uma relação mais próxima com a criação artística.


Em um cenário marcado pelo crescimento da inteligência artificial na produção musical, os integrantes defendem a valorização da música criada e executada por pessoas, destacando a importância da expressão humana e da experiência coletiva.


O segredo de uma trajetória duradoura


Questionados sobre o que diferencia a Monte Castelo de outros tributos à Legião Urbana, os músicos responderam inicialmente com bom humor, brincando sobre a beleza, a forma física e a modéstia dos integrantes.


Mas, deixando as brincadeiras de lado, destacaram características que consideram fundamentais para a continuidade do projeto: dedicação, energia, carisma, qualidade musical e respeito ao público.


A banda procura constantemente aperfeiçoar seus arranjos e incorporar novas possibilidades às apresentações.


Mesmo trabalhando com um repertório que possui um número limitado de composições, os integrantes acreditam que sempre existem novas formas de interpretar, organizar e apresentar as músicas.


Essa busca por evolução ajuda a explicar a longevidade do grupo e sua capacidade de continuar despertando o interesse dos fãs.


“Muito Além do Acústico”: o próximo capítulo da Monte Castelo


E quem acompanha a Monte Castelo pode esperar novidades. A banda está preparando um novo espetáculo intitulado “Muito Além do Acústico”, projeto que pretende revisitar a atmosfera do repertório acústico da Legião Urbana, mas com uma proposta diferenciada.


A apresentação alternará arranjos clássicos do álbum acústico com novas interpretações e versões criativas de músicas que não fizeram parte daquele registro.


A ideia é ampliar as possibilidades musicais do repertório e oferecer ao público uma experiência que una nostalgia, inovação e a identidade construída pela Monte Castelo ao longo dos anos.


O projeto representa mais um passo na trajetória de um grupo que encontrou na obra de Renato Russo não apenas uma inspiração artística, mas uma maneira de estabelecer conexões duradouras com diferentes gerações.


Um legado que permanece vivo


Ao final da entrevista, os integrantes foram convidados a resumir a mensagem deixada por Renato Russo e pela Legião Urbana ao público brasileiro.


Em vez de uma resposta convencional, escolheram versos que expressam esperança, continuidade e a possibilidade de construir novos caminhos.


A escolha traduz o sentimento que acompanha a Monte Castelo desde sua formação: a certeza de que a música pode atravessar o tempo, renovar significados e continuar fazendo parte da história das pessoas.


Mais do que um tributo, a Monte Castelo representa a permanência de um legado artístico que continua inspirando, emocionando e provocando reflexões.


Porque, enquanto houver alguém cantando, se emocionando ou descobrindo pela primeira vez uma composição de Renato Russo, a história da Legião Urbana continuará sendo escrita.


E, como sugere a mensagem escolhida pela própria banda, ainda há muito por fazer.


Acompanhe a banda aqui.

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