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“Cansei de Ser Belo”: com Fernando Pavão, comédia transforma vaidade, fama e obsessão pela beleza em uma divertida crítica ao mundo das celebridades

Redação
há 7 horas
6 min de leitura
Foto: Tiago Moraes
Foto: Tiago Moraes

Com texto inédito de Emílio Boechat e direção de Kleber Montanheiro, espetáculo reúne Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes em uma história irreverente sobre um galã que decide abandonar sua beleza para conquistar reconhecimento artístico.


Ser bonito demais pode se tornar um problema? Para muita gente, essa ideia parece absurda, mas é justamente dessa situação inusitada que nasce “Cansei de Ser Belo”, comédia inédita escrita por Emílio Boechat, que estreou em 3 de outubro de 2026, no Teatro YouTube, localizado na Galeria Magalu, em São Paulo.


Com direção de Kleber Montanheiro, a montagem apresenta uma sátira bem-humorada sobre os padrões de beleza, a busca incessante pelo reconhecimento e as contradições de uma sociedade cada vez mais preocupada com a aparência e a exposição nas redes sociais.


Protagonizado por Fernando Pavão, ao lado de Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes, o espetáculo promete arrancar gargalhadas ao apresentar situações absurdas que, apesar do exagero, revelam comportamentos bastante presentes no universo das celebridades e na sociedade contemporânea.


Produzida por Emílio Boechat e Marilia Toledo, a peça permanece em cartaz até 22 de novembro de 2026, com apresentações às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.


Um galã que decide ficar feio para ser levado a sério


No centro da história está Rodrigo Contreiras, interpretado por Fernando Pavão, um ator famoso, admirado por sua aparência e conhecido nacionalmente por seus trabalhos em novelas.


Dono de um sorriso perfeito, corpo sarado e milhões de seguidores, Rodrigo representa o típico galã que conquista campanhas publicitárias e atrai a atenção do público por onde passa. Entretanto, por trás dessa imagem aparentemente impecável, existe uma profunda insatisfação.


Convencido de que sua beleza impede que seu talento seja reconhecido, o personagem acredita sofrer preconceito por ser bonito demais. Cansado de ser visto apenas como um rosto atraente, decide tomar uma atitude radical: destruir sua imagem de perfeição para provar que também é um grande ator.


Sua principal ambição é conquistar o tão desejado prêmio de melhor ator e finalmente receber o reconhecimento da crítica especializada.


Para alcançar esse objetivo, Rodrigo resolve se aventurar no universo do teatro alternativo e experimental, ambiente que, em sua visão distorcida, representa o caminho mais rápido para demonstrar sua capacidade artística.


O resultado é uma sucessão de situações constrangedoras, exageradas e hilárias, nas quais o protagonista precisa enfrentar não apenas os desafios de uma nova experiência profissional, mas principalmente sua própria vaidade.


A vaidade como protagonista de uma comédia sobre o ego


A inspiração para “Cansei de Ser Belo” surgiu de uma observação curiosa do dramaturgo Emílio Boechat.


Após assistir à leitura de uma peça protagonizada por um conhecido galã de novelas, o autor começou a refletir sobre os motivos que levariam um artista já famoso e bem-sucedido a buscar novos desafios no teatro.


“Pensei: por que esse homem tão bonito e bem sucedido ainda se dá ao trabalho de fazer teatro?”, relembra Boechat.


A reflexão o levou ao pensamento do filósofo francês Henri Bergson, que identificava na vaidade uma importante fonte de comicidade.


“Foi então que eu lembrei que, segundo o filósofo Henri Bergson, a vaidade é o ‘vício cômico’ mais engraçado. A partir disso decidi escrever sobre a vaidade de uma perspectiva diferente”, explica o dramaturgo.


A partir dessa ideia, Boechat construiu uma narrativa que explora o comportamento de pessoas dispostas a ultrapassar qualquer limite para conquistar admiração e prestígio.


Embora a história se passe no universo artístico, a crítica apresentada no espetáculo ultrapassa os bastidores do teatro e da televisão, alcançando uma sociedade em que a aparência e a popularidade frequentemente se confundem com sucesso e reconhecimento.


Fernando Pavão interpreta um personagem obcecado por reconhecimento


Conhecido por seus trabalhos na televisão e no teatro, Fernando Pavão assume o desafio de interpretar um galã que, apesar de possuir fama, beleza e popularidade, acredita que ainda não conquistou aquilo que realmente deseja.


O personagem Rodrigo Contreiras representa uma contradição bastante contemporânea: alguém que aparentemente tem tudo, mas continua insatisfeito porque depende constantemente da aprovação dos outros.


Para o ator, a história estabelece uma conexão direta com o comportamento de muitas pessoas nas redes sociais.


“Acho que o texto acerta a mão em cheio ao espelhar esse Rodrigo, um ator que precisa desesperadamente de visibilidade e reconhecimento com o tempo em que vivemos hoje, em que muita gente busca isso via o mundo fantástico das redes sociais”, comenta Fernando Pavão.


O ator também destaca a maneira como a comédia retrata os exageros e as particularidades do meio artístico.


“Uma comédia deliciosa onde o universo dos atores e seus exageros é primorosamente retratado”, acrescenta.


Ao explorar as inseguranças do protagonista, o espetáculo mostra que a necessidade de reconhecimento pode se transformar em uma armadilha, especialmente quando a autoestima depende exclusivamente da opinião alheia.


Humor absurdo revela as fragilidades do universo artístico


A comédia também utiliza situações improváveis e constrangedoras para provocar reflexões sobre a profissão de ator e as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores da cultura.


Para Erica Montanheiro, uma das integrantes do elenco, grande parte da força do texto está justamente na capacidade de levar os personagens a situações extremas.


“O texto cria situações limítrofes nas quais, dificilmente, alguém iria se colocar. Essas situações criam constrangimento e, ao mesmo tempo, um olhar debochado sobre o ‘ser artista’”, explica a atriz.


Segundo Erica, esse humor exagerado permite expor questões reais relacionadas ao mercado cultural, especialmente em um país onde os profissionais da arte frequentemente precisam buscar maneiras de divulgar seus próprios trabalhos.


A atriz também chama atenção para a pressão enfrentada por artistas que precisam administrar não apenas suas carreiras, mas também a própria imagem pública.


Dessa forma, “Cansei de Ser Belo” utiliza o riso como ferramenta para discutir os desafios de uma profissão marcada pela exposição, pela competitividade e pela busca constante por oportunidades.


Uma crítica à fama e à superficialidade das redes sociais


Embora o protagonista seja um galã de novelas, a história de Rodrigo Contreiras encontra paralelos em uma realidade muito mais ampla.


Em tempos de redes sociais, filtros digitais, padrões estéticos e valorização excessiva da aparência, a busca por aprovação tornou-se parte do cotidiano de milhões de pessoas.


A comédia questiona justamente essa necessidade de validação, mostrando como a obsessão pelo reconhecimento pode distorcer a percepção que alguém tem de si mesmo.


O autor Emílio Boechat ressalta que a intenção da montagem não é desvalorizar o teatro alternativo ou experimental, mas criticar aqueles que enxergam determinadas manifestações artísticas de maneira preconceituosa.


“Nossa crítica é voltada às pessoas que buscam o reconhecimento a qualquer preço, que têm uma visão distorcida de quem são e tratam esse teatro experimental como algo menor”, esclarece o dramaturgo.


Assim, a peça também coloca em discussão a diferença entre o desejo legítimo de reconhecimento profissional e a vaidade que transforma a arte em um instrumento de autopromoção.


Direção aposta no exagero e em uma estética inspirada na velocidade das redes sociais


Sob a direção de Kleber Montanheiro, “Cansei de Ser Belo” aposta em uma linguagem cênica que mistura comicidade, exagero e elementos surrealistas.


A proposta é ampliar as situações apresentadas no texto para criar um reflexo bem-humorado dos comportamentos sociais contemporâneos.


Segundo o diretor, a encenação parte das características da escrita de Emílio Boechat, valorizando o jogo cômico entre os personagens e explorando possibilidades visuais que reforçam o absurdo da narrativa.


A cenografia também desempenha um papel importante nessa construção.


Com uma proposta simples e versátil, o cenário foi concebido para se transformar ao longo da apresentação, dando origem a diferentes ambientes, como salas, escritórios e camarins.


“Queremos que a cenografia seja muito simples, mas muito mutante, que tenha elementos que se transformam”, explica Montanheiro.


O diretor compara essa dinâmica à velocidade com que as imagens e informações circulam pelas redes sociais.


“Isso remete um pouco a essa velocidade das redes sociais, quase como uma tela de celular”, acrescenta.


A proposta visual acompanha o ritmo da comédia e reforça a ideia de um universo em constante transformação, no qual a imagem ocupa um lugar central.


Uma comédia para rir dos exageros e refletir sobre as aparências


Com uma narrativa irreverente e personagens que transitam entre o absurdo e situações reconhecíveis do cotidiano, “Cansei de Ser Belo” convida o público a observar com humor os excessos da vaidade e a necessidade humana de aprovação.


Ao acompanhar a jornada de um galã que acredita precisar abrir mão da própria beleza para conquistar respeito, o espetáculo revela as contradições de uma sociedade que valoriza a aparência, mas também cobra autenticidade e profundidade.


A montagem propõe uma reflexão sobre fama, autoestima, reconhecimento profissional e os limites da exposição pública, sem abandonar o principal objetivo de uma boa comédia: divertir.

“Cansei de Ser Belo” mostra que, por trás de uma aparência perfeita, podem existir inseguranças, frustrações e um ego desesperado por aplausos.


Uma comédia que transforma a obsessão pela beleza e pelo sucesso em situações hilárias, lembrando que, muitas vezes, o maior obstáculo para sermos reconhecidos não está na maneira como os outros nos enxergam, mas na imagem exagerada que construímos de nós mesmos.


Serviço:


Temporada: 3 de outubro a 22 de novembro de 2026

Local: Teatro YouTube (Galeria Magalu – Conjunto Nacional)

Endereço: Av. Paulista, 2073 – Bela Vista, São Paulo

Horários: ⁠Sexta e Sábado às 20h | Domingos às 18h

Ingressos: A partir de R$60,00

Classificação: Livre

Duração: 70 min


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