Clássico de Goldoni ganha versão brasileira e celebra reencontro de Neyde Veneziano e Giovani Tozi após 20 anos em “Dois Patrões”
- Redação
- 8 de fev.
- 3 min de leitura

Vinte anos depois de um encontro que marcou suas trajetórias, Neyde Veneziano e Giovani Tozi voltam ao texto que os uniu pela primeira vez. A nova montagem de “Il servitore di due padroni”, clássico de Carlo Goldoni, estreiou no dia 16 de janeiro de 2026, no Teatro Itália, com tradução de Neyde e adaptação assinada por Tozi.
O reencontro celebra duas décadas desde que Tozi, então jovem bailarino e estudante de teatro, foi aprovado em testes para “Arlequim e Seus Dois Patrões”, dirigido por Neyde em 2006. Agora, dividindo a direção, os dois artistas revisitam o texto que revolucionou a comédia europeia em 1745, quando estreou em Milão, transformando a commedia dell’arte improvisada em dramaturgia estruturada — sem perder o humor popular e os arquétipos clássicos como Pantaleão, Doutor e Arlequim.
Na versão brasileira, a trama é transportada para 2025, em uma atmosfera urbana, caótica e bem-humorada. O ponto de partida da adaptação foi o conceito das máscaras da commedia dell’arte e sua natureza instintiva e animalizada. A partir daí, Tozi criou uma ponte inusitada com o universo do jogo do bicho, elemento profundamente popular e simbólico no Brasil. O resultado é uma releitura contemporânea que mantém o enredo central, mas dialoga diretamente com as contradições sociais do país.
Aqui, Pantaleão deixa de ser o mercador veneziano para se tornar um bicheiro interessado em casar a filha e expandir seus territórios. O Doutor continua advogado, mas agora atua em favor de contraventores. Toda a ação acontece dentro de uma festa de noivado que simplesmente não termina — um ambiente de excessos e confusões que evoca tanto o absurdo claustrofóbico de Luis Buñuel quanto o universo popular retratado na série Vale o Escrito.
O Arlequim ganha nova identidade e vira Tico Sorriso, vivido por Felipe Hintze: carnavalesco de escola de samba da quarta divisão e trabalhador PJ que acumula empregos para sobreviver. Esmeraldina torna-se assessora e social media; Clarice quer assumir os negócios da família; Silvio é um playboy inseguro; e o Doutor Salvatti, sempre que bebe, passa a discursar em latim — detalhe que só aumenta o caos da celebração interminável.
A trama se complica com a chegada de Beatriz Rasponi, disfarçada como o irmão Frederico para recuperar dinheiro escondido, enquanto Luca Aretusi surge como principal suspeito de assassinato. Entre equívocos amorosos, interesses financeiros e identidades trocadas, a engrenagem farsesca gira em ritmo acelerado, embalada pela música ao vivo de Nando Pradho, que atua como DJ da festa e reforça o clima pulsante da encenação.
Dividindo a direção, Neyde se dedica à ambientação cênica e à composição física das personagens, enquanto Tozi concentra-se na preparação do elenco e na construção das intenções dramáticas. A parceria a quatro mãos potencializa o processo criativo e imprime frescor ao clássico.
Mais do que uma homenagem ao passado, a nova montagem reafirma a vitalidade da commedia dell’arte e sua capacidade de dialogar com o presente. Ao reinventar Goldoni em chave brasileira, Veneziano e Tozi celebram não apenas um reencontro artístico, mas a permanência do riso como ferramenta crítica diante de uma realidade vibrante, contraditória e irresistivelmente cômica.
Serviço:
Temporada: 16 de janeiro até 01 de março de 2026
Horários: Sextas e sábados 20h, domingo 18h
Duração: 100 minutos
Local: Teatro Itália
Endereço: Av. Ipiranga, 344 - República, São Paulo
Classificação: 12 anos
Ingressos: A partir de R$ 40,00
Funcionamento da Bilheteria: Abrirá 2h antes do evento




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