• Bianca

Banda Scalene lança magnetite, seu terceiro álbum de estúdio


(Foto: Divulgação)


“Dentro de cada universo, cada um enxerga e sente com seu cada qual”. O verso que abre este texto faz parte da música “esc (caverna digital)”, que integra o novo disco do Scalene, magnetite. É como se explicasse também a maneira como a banda brasiliense usou e absorveu as novas influências presentes no trabalho: um pouco de MPB, música eletrônica, R&B, entre outras, mas sob uma perspectiva que condiz com o caminho traçado até aqui, sem perder o DNA ou sair do seu universo. Gravado no Red Bull Studios São Paulo, no primeiro semestre de 2017, magnetite se desenvolveu, mais uma vez, sob a bem-sucedida parceria com o produtor Diego Marx e com o selo slap, da Som Livre.


As 12 músicas foram escritas por Gustavo Bertoni, vocalista e guitarrista do grupo – algumas sozinho, umas com Tomás Bertoni (guitarra) e sempre com a ajuda dos irmãos e os colegas de banda, Lucas Furtado (baixo) e Philipe “Mkk” Nogueira (bateria).


Os dois primeiros singles lançados, “ponta do anzol” e “cartão postal”, são bons exemplos das novas influências da banda. Na primeira, os cromatismos do cancioneiro nacional andam junto de um groove disco-punk sólido e momentos apoiados em sintetizadores. As camadas de diferentes texturas à la post-rock e melodias marcam a segunda, por sua vez. “Sempre achei intrigante os pontos de intersecção entre o rock e algumas características da música nordestina”, exemplifica o vocalista ao falar sobre as inspirações para “esc (caverna digital)”, quarta faixa do álbum.


Ao mesmo tempo em que experimenta, o Scalene faz uma volta às primeiras e principais referências musicais. Riffs de guitarra e linhas de baixo são as inspirações do stoner rock e do post-hardcore a partir das quais a banda se lança. É o que se encontra em “extremos pueris” (faixa que abre magnetite), “frenesi” e “fragmento”.


“distopia” (primeira faixa de magnetite a ganhar um videoclipe; assista aqui) revela um Scalene mais assertivo nas letras. A faixa em questão trata da manipulação religiosa. “É uma questão seríssima que ninguém enfrenta”, comenta Tomás Bertoni. “Para o problema passar a ser encarado como deve, primeiro precisamos falar de forma sincera sobre o assunto”, completa.


“Sempre nos incluímos na crítica, botamos o dedo em algumas feridas, ao mesmo tempo que elas são nossas. Falamos em empatia, perspectivas diferentes sobre a vida, se renovar, ter calma e aprender a refletir, não viver no automático. Falamos bastante sobre o momento atual do Brasil e do mundo e o comportamento das pessoas dessa época que vivemos”, resume Tomás sobre as temáticas das letras de magnetite.


Veja a capa:



Assim como ÉTER, o novo disco, também pesado, tem momentos mais lentos na medida exata para o equilíbrio entre suas canções. O Scalene desafia o conceito de baladas em um trabalho de rock e não apela pra elas em momentos de descanso do álbum. Os exemplos são “maré”, “phi” e “velho lobo”.


A penúltima faixa de magnetite, “heteronomia”, é a que soa mais parecida com as canções apresentadas pelo Scalene no antecessor ÉTER (2015), que recebeu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa. O vocalista da banda conta que, entre os músicos, brinca-se que é a evolução de “Marco Zero” (Real/Surreal, 2013), “mais focada em recolorir nossas influências-base do que experimentar”. Samyr Aissami, o quinto elemento do Scalene, toca percussão nesta faixa, assim como em “extremos pueris” e “cartão postal”.

Informações:

Faixas: 12

Preço sugerido: R$ 24,90