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Ailton Graça vive o narrador e cigano Chema no espetáculo Solidão


(Foto: Walquiria/ Foco das Notícias)

Ao longo da história, poucos foram os gêneros literários capazes de estabelecer com determinada região geográfica uma ligação tão umbilical como a que se consolidou entre o realismo mágico e a América Latina da segunda metade do século passado.


Pelas mãos de autores como o colombiano Gabriel García Márquez e os argentinos Julio Cortazar e Jorge Luis Borges, o continente sul-americano pôde exibir ao mundo um cartão de visitas suficientemente espaçoso para acomodar tanto a magia e os mistérios da região quanto suas injustiças e mazelas. Foi neste contexto literário, em que os acontecimentos do cotidiano insistem em desobedecer a qualquer ordem lógica, que o grupo Folias encontrou inspiração para seu mais recente trabalho.


A partir de uma sequência de cenas que se prestam a compor uma narrativa homogênea, mas que também podem ser compreendidas em suas potências individuais, Solidão mostra as transformações sofridas pelos moradores de um pequeno vilarejo, esquecido no tempo e no espaço, após a chegada de forasteiros com suas malas cheias de progresso e também de destruição.


A peça expõe o choque entre duas culturas: a nativa, não necessariamente inocente e ingênua, e a estrangeira, curiosa e extrativista, bem como os desdobramentos deste encontro nas relações de amor, poder e fraternidade. “Solidão é a fratura artística e cênica, resultante de um estado permanentemente febril que coloca o sujeito sempre entre duas pulsões antagônicas absolutamente complementares e paradoxalmente excludentes”, afirma o diretor Marco Antonio Rodrigues, que cita como exemplo desta tese o desejo que toda a sociedade brasileira tem de acabar com a corrupção e ao mesmo tempo a prática deste esporte por todos, no dia-a-dia e nas coisas mais comezinhas.


No espetáculo, a figura de um narrador, o cigano Chema, papel do ator Ailton Graça, irá conduzir praticamente todas as histórias – que serão vividas no tempo exato em que estiverem sendo narradas, com uma engrenagem cênica que pode transitar, intencionalmente, do sublime ao caos, do poético ao revolucionário, do divino ao comezinho. Porque Solidão não é um espetáculo obediente às regras do realismo: seus personagens são dotados de artifícios para driblar a morte e vencer o tempo, para depois, por que não, sucumbir à prosaica picada de um mosquito – já que os trópicos são o único personagem presente em todas as cenas – como um maestro regendo a história com suas ondas de calor, suas tempestades bíblicas, suas doenças persistentes e seu passado de desigualdade que não se conforma em ser apenas isso, um passado.


(Foto: Walquiria/ Foco das Notícias)


A ideia central de Solidão é explorar situações extremas de nascimento e morte, com personagens condenados a erigir a história numa cena para destruí-la na cena seguinte. Como se todo o continente sul-americano não passasse de um gigantesco Sísifo, condenado a carregar uma pedra colossal até o topo de sua famosa cordilheira, os Andes, apenas para observá-la rolar montanha abaixo no fim do dia. Solidão é um duelo eterno, um embate entre o homem e a natureza, entre o homem e o seu próximo e, o mais sangrento deles, entre o homem contra si mesmo.


Em entrevista para a nossa equipe Ailton disse que vive vários personagens em cena, o cigano Chema que ele vive dentro de cena participando integralmente da história, e também o narrador da história, a qual narra para as pessoas o que acontece na particularidade de cada cena, e o ator deixa bem claro a satisfação de estar fazendo parte deste projeto da Oficina do Folias que está completando 25 anos.


O ator ainda completou que é muito bom fazer parte de um projeto que fala sobre a américa do sul, um projeto que fala sobre o nosso comportamento humano, e muito mais do que isso, trás a tona uma reflexão interior.


Claro, que nossa equipe não poderia deixar de questionar cenas que estão presentes no espetáculo como a nudez, se os telespectadores não vão enxergar isso como um tabu, e Ailton diz: "Se as pessoas enxergarem isso como um tabu tem que procurar um especialista, pois ninguém nasceu de roupa.", revela.


Ailton ainda nos contou que tem muito da sua presença ano que vem na televisão Brasileira, ele fará parte de 3 séries na Rede Globo, e também de um filme escrito pelo também excelente ator Helio de la penha.

Serviço:

Data:04 de Novembro à 18 de Dezembro

Local: Galpão Folias

Endereço: Rua Ana Cintra, 213

Horários: Sexta e Sábado às 21h; domingo às 18h.

Valores: R$ 40,00 (com opção de meia entrada)

Ingressos: Bilheteria

Recomendação: 14 anos

Informações: (11) 3361-2223